quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Integrador de sistemas residenciais


Por Renato Faria

Profissional projeta e implanta sistemas centralizados e simples de controle dos sistemas da casa, como iluminação e segurança

Na esteira da evolução tecnológica de sistemas eletroeletrônicos residenciais, surgiu um novo tipo de profissional: o Integrador de Sistemas Residenciais, responsável por projetar e implantar um sistema centralizado que permita ao morador controlar, de maneira simples, os aparelhos que surgem e vão se sofisticando. "Ao longo do tempo, foram surgindo equipamentos para controlar iluminação, áudio e vídeo, câmeras de segurança etc. Havia diversos sistemas e ninguém sabia como controlar tudo aquilo. O integrador é a pessoa que organiza esses sistemas todos", afirma Thales Cavalcanti, diretor-executivo da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial).

Quando atua junto a construtoras, o integrador pode ser considerado um "coordenador de projetos" dos sistemas eletrônicos de um edifício. "Às vezes nós somos chamados pela construtora e entramos num grupo de projetistas. Lá estão o projetista elétrico, o de segurança, o de iluminação... Se todos já estavam ali, o que eu estava fazendo no meio deles? Minha função era justamente ligar todas essas pontas", explica o projetista e integrador José Roberto Muratori. O engenheiro defende o papel do integrador no projeto: "numa equipe de projeto grande, todos são especialistas e nós, generalistas". Segundo Muratori, o profissional não precisa conhecer a fundo, por exemplo, uma câmera que será colocada numa guarita. Trata-se de uma tarefa do projetista de segurança, especialista no assunto. "Eu só preciso saber o que essa câmera faz, como ela me envia a informação e como eu posso integrá-la aos demais sistemas", explica.

José Roberto conta que há uma diferença entre o integrador de sistemas prediais - mais focado nos sistemas de edifícios comerciais - e o integrador de sistemas residenciais. "O que percebemos é que os prédios residenciais praticamente não têm nada disso, mas poderiam ter", afirma. "Nesses empreendimentos, eu me sinto à vontade para propor algumas soluções, como uma central de automação para gerenciar a iluminação das áreas comuns, cortinas motorizadas nos salões de festa; lá na guarita, o porteiro poderá ter um monitor para acender e apagar luzes à distância, liberar elevador", explica o engenheiro.

Quando o integrador trabalha em projetos de empreendimentos residenciais, quanto mais cedo começa a participar das reuniões, melhor. Isso porque na fase de concepção do produto, ainda é possível propor pequenas alterações na arquitetura que promovam a infraestrutura necessária para interligar os sistemas do edifício. "Claro que são necessárias informações básicas a respeito do empreendimento, como o perfil do público, quantos pavimentos terá, entre outras coisas. Mas não é necessário, por exemplo, já se ter um projeto de instalações elétricas pronto", afirma Muratori.

Dentre suas experiências com construtoras, o engenheiro destaca uma em que fora chamado numa etapa já avançada de desenvolvimento do projeto. "Nós fomos contratados para fazer um empreendimento com seis torres. Quando chegamos na primeira reunião para dar nossas impressões, eu pedi uma sala técnica para nosso sistema. A incorporadora respondeu afirmando que não poderia mexer em mais nada no edifício", relata. "Se eu tivesse sido consultado seis meses antes, eu teria pedido uma salinha de 2 m x 3 m e tudo estaria resolvido."

José Roberto conta que, há cerca de cinco anos, o faturamento de seu escritório apoiava-se principalmente nos serviços prestados para construtoras. Hoje, a relação inverteu, e a grande maioria de seus clientes são os chamados consumidores finais, ou seja, os proprietários de residências. O engenheiro não descarta o trabalho com as construtoras, mas tem sido mais seletivo em relação às empresas com as quais atua. Segundo Muratori, é mais difícil, quando se trabalha com construtoras de maior porte, estabelecer um contato mais próximo com os compradores finais das unidades - clientes potenciais de seu escritório. "Eu prefiro trabalhar com empresas menores, cujos donos geralmente eu conheço pessoalmente, pois eles costumam me colocar em contato direto com o comprador. Assim é possível oferecer nossos serviços", destaca Muratori. "Houve uma oportunidade em que uma obra me gerou 48 clientes."

De acordo com Cavalcanti, da Aureside, a maior parte dos profissionais que procura os cursos oferecidos pela entidade é composta por engenheiros elétricos. São profissionais em busca de reciclagem ou de novos horizontes para a carreira. Mas engana-se quem acredita que o curso basta para se considerar um verdadeiro integrador. O processo pode levar até um ano e inclui outros cursos específicos de certificação com os fornecedores com os quais ele pretende trabalhar.

Numa segunda fase, a da "mão na massa", ele pode começar montando seu showroom, que pode ser seu próprio escritório. "É uma espécie de laboratório, para que o profissional não comece a lidar com os problemas logo na primeira obra." Quando pegar seu primeiro projeto, caso se sinta inseguro, aconselha Cavalcanti, o profissional pode pedir o auxílio de um técnico do fornecedor. Segundo Muratori, além de conhecer as características básicas dos componentes dos diversos sistemas com que trabalhará, o integrador de sistemas residenciais também precisa ter noções de leitura de projetos. "Eu mesmo me associei com uma arquiteta porque achava que me faltava, no trabalho com projetos, um pouco de visão espacial", conclui.
Currículo

Atribuições: projetar e implementar a integração dos sistemas residenciais, como segurança, automação, iluminação, home theater etc.
Formação: engenharia, arquitetura, informática ou curso de nível técnico
Experiência: pelo menos um ano participando de cursos de  entidades e fabricantes de sistemas  de integração
Aptidões: conhecimentos básicos sobre os componentes dos sistemas que serão integrados, além de boa capacidade de leitura e interpretação de projetos
Livro recomendado: Residências Inteligentes, de Caio Bolzani

Acervo pessoal
Thales Cavalcanti, integrador da Techdomus
O profissional

Qual sua formação e como se especializou nesse segmento?
 
Sou engenheiro-eletricista com especialização em Telecomunicações. Trabalhei na área de telefonia, depois com TV a Cabo e me casei com uma arquiteta. Com a experiência com tecnologia aliada à arquitetura, nós procuramos nos especializar no segmento de automação, onde estou há sete anos.

Como você se atualiza?

Procuro fazer todos os cursos dos fornecedores e pesquiso novas tecnologias em sites especializados e sites de fabricantes, por exemplo.

Quantas horas de seu dia você dedica a seu trabalho?

Passo entre 12 horas e 15 horas por dia trabalhando.

Como é sua rotina diária?
 
Eu trabalho em São Paulo, mas tenho escritório também em São José do Campos, a 100 km da capital. Dedico certo tempo à atualização profissional, uma boa parte do meu dia a desenvolver os projetos e visitar obras, cuidando da implementação dos sistemas, conversando com o pessoal de programação e instalação. Uma outra parte, logicamente, passo prospectando novos clientes.

Quais as maiores dificuldades no trabalho de integrador? 
Uma das maiores dificuldades é fazer o cliente entender o que ele está comprando antes de o sistema estar implantado. Por mais que a pessoa se interesse pelo sistema, ela normalmente só vai entendê-lo quando estiver funcionando e rodando em sua casa.

Do que mais gosta em seu trabalho?
 
É justamente criar a integração, porque nem sempre ela está pronta. Você precisa se dedicar a descobrir como fazer aquilo. Há todo um trabalho intelectual por trás disso.

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